O que mais vale que uma raiz brotando da terra? A essência do ser exposta comparada ao perfume das flores.
quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010
terça-feira, 2 de fevereiro de 2010
Escorados na estrutura cinzenta da casa - Os degraus. Por eles passam os silenciosos pés descalços, os barulhentos tamancos de madeira, os mais variados tennis e meias encardidas.
Assim, ele sabe que tudo aguenta, que tudo resiste; Os produtos de limpeza que pouco a pouco retiram o cal de sua superfície; os passos apressados sem nenhum sinal de carinho, tão desgastantes.
Curioso ver, que é difícil que alguém repare aonde pisa, (tirando os casos de aviso iminente como poças d'agua ou de insetos fantasiados para alguma festa surpresa - As quais nunca conseguem chegar a tempo) que veja os curiosos detalhes e imagens embutidas sobre a tinta fresca secada ao Sol - Sonhos pesados demais para serem realizados, mas que foram gravados sobre as delicadezas que só um degrau de porcelana pode oferecer, (ou de madeira, talvez concreto puro desgastado pelo tempo) para que seus pés os pisem, talvez numa tentativa tola de dizer que os sonhos nunca morrem, que existem oportunidades de busca-los bem embaixo de nossos pés.
Sonhos estes tão difíceis de serem encontrados. Sempre fomos ensinados a olhar para frente, não importa o que houver, sempre olhe para frente. Quando chegamos, no entanto, não sabemos por onde passamos, por onde subimos em nossa busca sem fim. Não reparamos nas delicadezas de nossos degraus, escorados em nossa própria estrutura, e que nos mesmos os fizemos, a medida que subimos.
quinta-feira, 19 de novembro de 2009
Retratos na Varanda
Não deixe que sequem, inúmeros retratos espalhados na sacada da varanda.
Sonhos reflectidos em tinta molhada.
Não os deixe no Sol, mas também não os deixe na sombra
Deixa-os no meio, onde a sombra não os possa consumir, nem onde o Sol os torne pesados demais.
Sonhos reflectidos em tinta molhada.
Não os deixe no Sol, mas também não os deixe na sombra
Deixa-os no meio, onde a sombra não os possa consumir, nem onde o Sol os torne pesados demais.
domingo, 20 de setembro de 2009
A rosa
Ela tinha espinhos
Mas não era por querer mal
Era por ter medo do perigo.
A rosa esquecida, enclausurada por espinhos
Vivia amuada, pobre coitada.
Até que um dia um botão,
Cansado de dizer não,
Mostrou sua beleza, graciosa princesa.
E as pessoas encantadas queriam toca-la
Então cortaram seus espinhos,
E a rosa, coitada, ficou assustada,
Pois já não podia, fugir de mais nada.
E o vermelho de suas pétolas, agora murchavam
Jogada no lixo, a rosa encantada.
Mas não era por querer mal
Era por ter medo do perigo.
A rosa esquecida, enclausurada por espinhos
Vivia amuada, pobre coitada.
Até que um dia um botão,
Cansado de dizer não,
Mostrou sua beleza, graciosa princesa.
E as pessoas encantadas queriam toca-la
Então cortaram seus espinhos,
E a rosa, coitada, ficou assustada,
Pois já não podia, fugir de mais nada.
E o vermelho de suas pétolas, agora murchavam
Jogada no lixo, a rosa encantada.
domingo, 6 de setembro de 2009
Sempre me disseram que sou distraído.
O fato pois, que ao andar nas ruas, tombando com centenas de postes e inofensivos orelhões telefónicos, confirmavam-se as suspeitas.
É que vim de olhos fechados, e em tudo que tocava Deus me dizia que as tocasse com a alma.
De modo que agora, estando de olhos abertos, não sei se vejo o que sinto ou se sinto o que toco.
O fato pois, que ao andar nas ruas, tombando com centenas de postes e inofensivos orelhões telefónicos, confirmavam-se as suspeitas.
É que vim de olhos fechados, e em tudo que tocava Deus me dizia que as tocasse com a alma.
De modo que agora, estando de olhos abertos, não sei se vejo o que sinto ou se sinto o que toco.
terça-feira, 18 de agosto de 2009
O fim da poesia
Não vou falar sobre o tempo.
Nem sobre a rosa que se quebrou, o vento que não soprou, a chuva que não caiu, a tempestade que não cessou, ou do Sol que não pintou.
Não lhe direi nada, pois de nada apreenderias comigo.
Pois nem mesmo a chuva (aquela que não se vê), poderia lhe dizer porque não cai.
Nem mesmo os passarinhos (Ah! Estes vamos deixar em paz!), pois estes podem voar, não com as asas de metal, mas com as asas da imaginação, aquelas que se tornaram realidade por voarem alto demais.
Nem sobre a rosa que se quebrou, o vento que não soprou, a chuva que não caiu, a tempestade que não cessou, ou do Sol que não pintou.
Não lhe direi nada, pois de nada apreenderias comigo.
Pois nem mesmo a chuva (aquela que não se vê), poderia lhe dizer porque não cai.
Nem mesmo os passarinhos (Ah! Estes vamos deixar em paz!), pois estes podem voar, não com as asas de metal, mas com as asas da imaginação, aquelas que se tornaram realidade por voarem alto demais.
sábado, 15 de agosto de 2009
Apaguem estas manchas
Quem foi que permitiu que me pintassem no chão?
Oras, se ao menos não fossem iguais a todas as outras, assim pareço como todos os outros.
Retratos espalhados pelo chão.
Oras, se ao menos não fossem iguais a todas as outras, assim pareço como todos os outros.
Retratos espalhados pelo chão.
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