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terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Escorados na estrutura cinzenta da casa - Os degraus. Por eles passam os silenciosos pés descalços, os barulhentos tamancos de madeira, os mais variados tennis e meias encardidas.
Assim, ele sabe que tudo aguenta, que tudo resiste; Os produtos de limpeza que pouco a pouco retiram o cal de sua superfície; os passos apressados sem nenhum sinal de carinho, tão desgastantes.

Curioso ver, que é difícil que alguém repare aonde pisa, (tirando os casos de aviso iminente como poças d'agua ou de insetos fantasiados para alguma festa surpresa - As quais nunca conseguem chegar a tempo) que veja os curiosos detalhes e imagens embutidas sobre a tinta fresca secada ao Sol - Sonhos pesados demais para serem realizados, mas que foram gravados sobre as delicadezas que só um degrau de porcelana pode oferecer, (ou de madeira, talvez concreto puro desgastado pelo tempo) para que seus pés os pisem, talvez numa tentativa tola de dizer que os sonhos nunca morrem, que existem oportunidades de busca-los bem embaixo de nossos pés.

Sonhos estes tão difíceis de serem encontrados. Sempre fomos ensinados a olhar para frente, não importa o que houver, sempre olhe para frente. Quando chegamos, no entanto, não sabemos por onde passamos, por onde subimos em nossa busca sem fim. Não reparamos nas delicadezas de nossos degraus, escorados em nossa própria estrutura, e que nos mesmos os fizemos, a medida que subimos.

Um comentário:

  1. Aqueles que não sabem sonhar, acho que sonham esses tais sonhos pesados, e por estes não se realizarem, dizem não acreditar em sonhos.

    É, acho que é isso, porque um sonhador faz acontecer seus sonhos, e faz lista dos próximos a serem reais. Quando se chega no fim da escada, ou até mesmo antes, é importante saber o que causou cada esforço para subir um degrau.

    Maravilhoso texto! Parabéns!!!

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