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sexta-feira, 25 de julho de 2014

E todos os passarinhos são belos! Mas não foi isso que pensou a pomba urbana, que depois de ter trabalhado duro para tirar uma semente de um buraco do asfalto, um passarinho ter furtivamente levado seu alimento para longe. Será justamente por a bomba ter se tornado urbana, que o pequeno passarinho não a reconhece mais? Ou seria que a pomba não sabe mais como se brinca de esconde-esconde? - Talvez os animais, estes da natureza - Não sobrevivam como nós, apenas vivam.
Ela se sentou perto dos pássaros, pois isso lhe fazia bem.. Naquele dia no entanto, descobriu que eles não fugiam, não importava os gestos e risadas, pois o que os pássaros escutavam naquele momento, ninguém mais escutava, que eram as canções ditas pelo próprio coração. É que naquele dia, os pássaros entenderam que os tais humanos também sabiam falar sua língua, e que aquele violão no colo da menina, nada era parecido com o terrível cortador de grama. Falavam enfim, a mesma língua - A língua dos corações.

domingo, 9 de março de 2014

Ouço por ai, que a palavra é magia. Mas minha escrita é poesia, e não sou feiticeiro, pois nada me escuta, a não ser minha vontade de papel e caneta. Pois digo assim, se enfeitiço, enfeitiço a mim mesmo, pois de meus pensamentos é que escrevo, e então eu mesmo leio, de modo que o fascínio que me persegue vem de descobrir a mim mesmo, pois este estranho que me habita, fala-me por palavras, e me faz pensar, que sou ele -eu-, e vice e versa.

sábado, 1 de fevereiro de 2014

Um bebe que me olha nos olhos, lembrei-me de ti Senhor, e por isso sorri. Mas quebro esse olhar, pois não posso aguentar tamanha pureza, não por não ser digno, mas por medo de corrompe-lo. Mas isso são coisas da mente adulta, que aprende um olhar, que analisa, sendo atormentado pelo o que desconhece. E confesso Senhor, confesso que desconheço um olhar tão cheio de sentir. Dói-me, tal como o olhar da moça cega - A pura beleza de quem vê com a alma, e por isso é capaz de manter um olhar - que sou obrigado a desviar. E penso, dizem que os mortais não podem mirar a face de Deus, mas na verdade, talvez, se pudéssemos, desviaríamos.

terça-feira, 19 de novembro de 2013

Uma rosa que, em busca de amor, deu um salto tão grande, que encontrou-se fundida de ponta cabeça, com a própria mãe natureza. Mas não foi sempre assim, é que ela amava um coração, de pedra eu sei, mas nesta angustia de crescer e ver seu amor cada vez mais longe, ela cometeu um delírio. Agora crescem ambos em direção a terra. Entende o que eu digo? Um coração de pedra, que não bate mas também não morre, e uma rosa charmosa, que perderia seu brilho caso crescesse ao céu.

sábado, 23 de fevereiro de 2013

Magoa da Saúdade

O amor existe, e não morre, é como se apenas, a saudade ferisse de tal modo, que o próprio corpo se magoasse, e a ressaca em forma de angustia contivesse todo um ser. Este ser não tem escolha, a não ser esperar que tal amor reprimido seja então libertado. O amor reprimido, sua forma saudosa, é tão forte que se liberado poderia destruir toda a Terra. Mas mesmo assim, deve ser chamado de amor, pois é o amor que se transformou em botão, de modo a conter a saudade.

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

A margem do mundo

Escondido entre pedras e líquens, aqui, eu observo o que restou, o que é na verdade o segredo da natureza. Onde não há quase vida, onde apenas alguns pássaros se arriscam em abocanhar algum peixe, onde uma cigarra canta baixinho, na tentativa -na verdade, certeza, pois os seres evoluídos desta Terra não possuem dúvidas de suas capacidades- de chamar inúmeras cores, e pios, e gritos e tudo que se mova sem nenhum medo de ser feliz. Eis que descubro que esta é a verdadeira natureza, aquela que o homem não pode pisar e destruir, que não tem coragem de entrar pois sua pele ficaria gosmenta de mais, eis que descubro que o verdadeiro canto se dá no silêncio. E então uma grande revelação.. bastaria apenas fechar os olhos, não necessitaria destruir para poder encontrar o silêncio de flores mortas. Mas o Homem, esta criança que anda sobre a terra, não poderia entender a cigarra, que canta ainda assim alegre, a margem do mundo.