sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013
A margem do mundo
Escondido entre pedras e líquens, aqui, eu observo o que restou, o que é na verdade o segredo da natureza. Onde não há quase vida, onde apenas alguns pássaros se arriscam em abocanhar algum peixe, onde uma cigarra canta baixinho, na tentativa -na verdade, certeza, pois os seres evoluídos desta Terra não possuem dúvidas de suas capacidades- de chamar inúmeras cores, e pios, e gritos e tudo que se mova sem nenhum medo de ser feliz.
Eis que descubro que esta é a verdadeira natureza, aquela que o homem não pode pisar e destruir, que não tem coragem de entrar pois sua pele ficaria gosmenta de mais, eis que descubro que o verdadeiro canto se dá no silêncio. E então uma grande revelação.. bastaria apenas fechar os olhos, não necessitaria destruir para poder encontrar o silêncio de flores mortas. Mas o Homem, esta criança que anda sobre a terra, não poderia entender a cigarra, que canta ainda assim alegre, a margem do mundo.
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