quarta-feira, 14 de janeiro de 2015
E foi num dia destes, de ventania, que a divindade entrou pela minha janela, e trouxe a beleza de uma folha ainda verde, porém seca, no entanto com cheiro de vida, de terra, de chuva.. de ventania.
Não distante, neste mesmo quarto, um vento calmo me trouxe a sabedoria de um dente-de-leão, como o beijo de um amor distante.
E penso, quão belo é o acaso - se é mesmo que existe o acaso -, mas a sabedoria do acaso é um destino de portas entreabertas, as quais podemos mirar e mirar, e num belo dia, entrar.
E neste dia em que entramos, não seremos nós também, como folhas a entrar em janelas?
sexta-feira, 25 de julho de 2014
E todos os passarinhos são belos! Mas não foi isso que pensou a pomba urbana, que depois de ter trabalhado duro para tirar uma semente de um buraco do asfalto, um passarinho ter furtivamente levado seu alimento para longe.
Será justamente por a bomba ter se tornado urbana, que o pequeno passarinho não a reconhece mais? Ou seria que a pomba não sabe mais como se brinca de esconde-esconde? - Talvez os animais, estes da natureza - Não sobrevivam como nós, apenas vivam.
Ela se sentou perto dos pássaros, pois isso lhe fazia bem..
Naquele dia no entanto, descobriu que eles não fugiam, não importava os gestos e risadas, pois o que os pássaros escutavam naquele momento, ninguém mais escutava, que eram as canções ditas pelo próprio coração.
É que naquele dia, os pássaros entenderam que os tais humanos também sabiam falar sua língua, e que aquele violão no colo da menina, nada era parecido com o terrível cortador de grama.
Falavam enfim, a mesma língua - A língua dos corações.
domingo, 9 de março de 2014
Ouço por ai, que a palavra é magia. Mas minha escrita é poesia, e não sou feiticeiro, pois nada me escuta, a não ser minha vontade de papel e caneta.
Pois digo assim, se enfeitiço, enfeitiço a mim mesmo, pois de meus pensamentos é que escrevo, e então eu mesmo leio, de modo que o fascínio que me persegue vem de descobrir a mim mesmo, pois este estranho que me habita, fala-me por palavras, e me faz pensar, que sou ele -eu-, e vice e versa.
sábado, 1 de fevereiro de 2014
Um bebe que me olha nos olhos, lembrei-me de ti Senhor, e por isso sorri. Mas quebro esse olhar, pois não posso aguentar tamanha pureza, não por não ser digno, mas por medo de corrompe-lo.
Mas isso são coisas da mente adulta, que aprende um olhar, que analisa, sendo atormentado pelo o que desconhece.
E confesso Senhor, confesso que desconheço um olhar tão cheio de sentir. Dói-me, tal como o olhar da moça cega - A pura beleza de quem vê com a alma, e por isso é capaz de manter um olhar - que sou obrigado a desviar.
E penso, dizem que os mortais não podem mirar a face de Deus, mas na verdade, talvez, se pudéssemos, desviaríamos.
terça-feira, 19 de novembro de 2013
Uma rosa que, em busca de amor, deu um salto tão grande, que encontrou-se fundida de ponta cabeça, com a própria mãe natureza.
Mas não foi sempre assim, é que ela amava um coração, de pedra eu sei, mas nesta angustia de crescer e ver seu amor cada vez mais longe, ela cometeu um delírio. Agora crescem ambos em direção a terra.
Entende o que eu digo? Um coração de pedra, que não bate mas também não morre, e uma rosa charmosa, que perderia seu brilho caso crescesse ao céu.
sábado, 23 de fevereiro de 2013
Magoa da Saúdade
O amor existe, e não morre, é como se apenas, a saudade ferisse de tal modo, que o próprio corpo se magoasse, e a ressaca em forma de angustia contivesse todo um ser.
Este ser não tem escolha, a não ser esperar que tal amor reprimido seja então libertado.
O amor reprimido, sua forma saudosa, é tão forte que se liberado poderia destruir toda a Terra. Mas mesmo assim, deve ser chamado de amor, pois é o amor que se transformou em botão, de modo a conter a saudade.
Assinar:
Postagens (Atom)