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domingo, 15 de fevereiro de 2015

Ao que me puxa

E puxei as mangas como um escritor: Declaro hoje que tudo bem, não me importo mais em esperar - pois com a força, vem a paciência - já esperei por muita coisa. Declaro que nem mesmo a fraqueza do corpo, ou a demência da mente irão me abalar, que nem mesmo a fraqueza de meu espirito cansado possa me derrotar. Declaro hoje, com o direito de quem escreve, que sou forte, e assim devo permanecer. - E que somente a tinta de Deus possa me alterar.

quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

E foi num dia destes, de ventania, que a divindade entrou pela minha janela, e trouxe a beleza de uma folha ainda verde, porém seca, no entanto com cheiro de vida, de terra, de chuva.. de ventania. Não distante, neste mesmo quarto, um vento calmo me trouxe a sabedoria de um dente-de-leão, como o beijo de um amor distante. E penso, quão belo é o acaso - se é mesmo que existe o acaso -, mas a sabedoria do acaso é um destino de portas entreabertas, as quais podemos mirar e mirar, e num belo dia, entrar. E neste dia em que entramos, não seremos nós também, como folhas a entrar em janelas?

sexta-feira, 25 de julho de 2014

E todos os passarinhos são belos! Mas não foi isso que pensou a pomba urbana, que depois de ter trabalhado duro para tirar uma semente de um buraco do asfalto, um passarinho ter furtivamente levado seu alimento para longe. Será justamente por a bomba ter se tornado urbana, que o pequeno passarinho não a reconhece mais? Ou seria que a pomba não sabe mais como se brinca de esconde-esconde? - Talvez os animais, estes da natureza - Não sobrevivam como nós, apenas vivam.
Ela se sentou perto dos pássaros, pois isso lhe fazia bem.. Naquele dia no entanto, descobriu que eles não fugiam, não importava os gestos e risadas, pois o que os pássaros escutavam naquele momento, ninguém mais escutava, que eram as canções ditas pelo próprio coração. É que naquele dia, os pássaros entenderam que os tais humanos também sabiam falar sua língua, e que aquele violão no colo da menina, nada era parecido com o terrível cortador de grama. Falavam enfim, a mesma língua - A língua dos corações.

domingo, 9 de março de 2014

Ouço por ai, que a palavra é magia. Mas minha escrita é poesia, e não sou feiticeiro, pois nada me escuta, a não ser minha vontade de papel e caneta. Pois digo assim, se enfeitiço, enfeitiço a mim mesmo, pois de meus pensamentos é que escrevo, e então eu mesmo leio, de modo que o fascínio que me persegue vem de descobrir a mim mesmo, pois este estranho que me habita, fala-me por palavras, e me faz pensar, que sou ele -eu-, e vice e versa.

sábado, 1 de fevereiro de 2014

Um bebe que me olha nos olhos, lembrei-me de ti Senhor, e por isso sorri. Mas quebro esse olhar, pois não posso aguentar tamanha pureza, não por não ser digno, mas por medo de corrompe-lo. Mas isso são coisas da mente adulta, que aprende um olhar, que analisa, sendo atormentado pelo o que desconhece. E confesso Senhor, confesso que desconheço um olhar tão cheio de sentir. Dói-me, tal como o olhar da moça cega - A pura beleza de quem vê com a alma, e por isso é capaz de manter um olhar - que sou obrigado a desviar. E penso, dizem que os mortais não podem mirar a face de Deus, mas na verdade, talvez, se pudéssemos, desviaríamos.

terça-feira, 19 de novembro de 2013

Uma rosa que, em busca de amor, deu um salto tão grande, que encontrou-se fundida de ponta cabeça, com a própria mãe natureza. Mas não foi sempre assim, é que ela amava um coração, de pedra eu sei, mas nesta angustia de crescer e ver seu amor cada vez mais longe, ela cometeu um delírio. Agora crescem ambos em direção a terra. Entende o que eu digo? Um coração de pedra, que não bate mas também não morre, e uma rosa charmosa, que perderia seu brilho caso crescesse ao céu.