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terça-feira, 18 de agosto de 2009

O fim da poesia

Não vou falar sobre o tempo.
Nem sobre a rosa que se quebrou, o vento que não soprou, a chuva que não caiu, a tempestade que não cessou, ou do Sol que não pintou.

Não lhe direi nada, pois de nada apreenderias comigo.
Pois nem mesmo a chuva (aquela que não se vê), poderia lhe dizer porque não cai.
Nem mesmo os passarinhos (Ah! Estes vamos deixar em paz!), pois estes podem voar, não com as asas de metal, mas com as asas da imaginação, aquelas que se tornaram realidade por voarem alto demais.

sábado, 15 de agosto de 2009

Apaguem estas manchas

Quem foi que permitiu que me pintassem no chão?
Oras, se ao menos não fossem iguais a todas as outras, assim pareço como todos os outros.
Retratos espalhados pelo chão.

Sombras

Mas bem que podíamos escrever tudo. Pra começar, uma longa introdução ao despertarmos. Glorificando cada minucioso ato, desde reconhecer a cara amassada no espelho, até os grandes actos como abrir a geladeira.

De tarde, quando o sol estivesse a altura de nossas cabeças, descreveríamos os formatos das sombras que vão manchando pouco a pouco as cidades.

Quando o Sol estivesse cansado de brincar de artista, contemplaríamos a noite, e ofereceríamos nossas sombras pintadas o dia todo a Lua, onde ficariam guardadas ao redor das estrelas, e nós nos dia seguinte pudéssemos pintar tudo de novo.
Dai veio o homem, admirado com sua própria sombra pintada no chão, criou a lâmpada, para que ele também se tornasse um artista.

Linhas Tortas

Perguntei-me se escrevia bem, pois ora!
Não sou nenhum Deus que escreva por linhas tortas.

Como se pinta-se por uma régua imaginária, alguma força me faz escrever por linhas retas.
Decidi pois me lançar ao descuido, que mais me valesse andar por sinuosos caminhos que caminhos traçados.

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

O vento

Uma certa senhora que ao espreitar pela janela, assustada, percebeu de relance que não se tratavam de assaltantes, e sim de pássaros, que ao roubarem seus arbusto, semeavam lindos frutos.
Se tratava de um gurizinho. Seus sonhos, por vezes tão pequenos, tão bobos, repletos da mais pura inocência.

Gostava de caminhar ao vento, sentir o aroma das árvores, e mais do que tudo, gostava de viver.